Augustinho Teixeira do snowboard: perfil, biografia e resultados do brasileiro nos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026
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Augustinho Teixeira do snowboard: perfil, biografia e resultados do brasileiro nos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026
Descubra a história do brasileiro que nasceu na Terra do Fogo e hoje se destaca na neve e competirá no snowboard nos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026.

Por Mateus Nagime
Augustinho Teixeira nasceu na Terra do Fogo, mas hoje se destaca nas montanhas de neve. Filho de mãe brasileira e pai argentino, o atleta e mecânico de automóveis concilia sua paixão por carros e motos com os treinos no snowboard halfpipe. Tudo isso em Calgary, no Canadá, para onde se mudou ainda criança com o sonho de representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno. Tantos esforços da família valeram a pena: dias antes de completar 21 anos, ele fará sua estreia Olímpica em Milano Cortina 2026, que começam nesta sexta-feira, dia 6 de fevereiro.
Natural de Ushuaia, cidade mais ao sul da Argentina, Augustinho – esse é seu nome oficial, não é um diminutivo – descobriu o esporte no lugar mais improvável: de férias no Ceará, quando se apaixonou aos dois anos de idade pelo sandboard. De volta à casa, começou a treinar esqui alpino até ver alguns garotos praticando o snowboard e se lembrou da diversão no Brasil.
Hoje morando na cidade-sede dos Jogos Olímpicos de Inverno em 1988, Augustinho Teixeira subiu de nível e conquistou resultados inéditos para o snowboard brasileiro. Ele será um dos dois atletas representando o país na modalidade, ao lado de Pat Burgener.
Dois anos atrás, era João Teixeira, seu irmão mais novo e hoje com 18 anos, que vestia as roupas do Time Brasil nos Jogos Olímpicos da Juventude Gangwon 2024, onde foi porta-bandeira na Cerimônia de Encerramento. Foi também no snowboard que o Brasil obteve resultados históricos: o nono lugar de Isabel Clark em Turim 2006, único top 10 individual da América do Sul nos Jogos Olímpicos de Inverno, e a medalha de bronze de Zion Bethônico no snowboard Cross em Gangwon 2024, um pódio inédito para o Brasil. E Augustinho quer deixar sua marca também em Milano Cortina 2026.
“Tenho que representar bem o Brasil. Tem brasileiro fazendo bem e colocando o país no topo em tudo quanto é esporte: surfe, skate, na motovelocidade... quero fazer isso com o snowboard”, comentou ao Olympics.com no ano passado.
Raio-X: Augustinho Teixeira
Nome completo: Augustinho Jerônimo Ramos Teixeira
Data de nascimento: 1 de março de 2005 (20 anos)
Local de nascimento: Ushuaia (Argentina)
Altura: 1,75m
Em atividade desde: 2018
Como foi o início da carreira de Augustinho Teixeira? História e estreia no snowboard
Se tem um local que parecia perfeito para Augustinho Teixeira descobrir o snowboard é em sua cidade de nascimento. Ushuaia, na Argentina, é a segunda cidade mais meridional da América do Sul, pouco acima de Puerto Williams, no Chile.
Mesmo em janeiro, em pleno verão, a temperatura máxima média é de 15° C. São cerca de 60 dias de neve por ano, especialmente entre junho e setembro, quando as montanhas que encerram as Cordilheira dos Andes ganham contorno branco, perfeito para a neve.
Porém, foi no Ceará, onde Augustinho Teixeira deu seus primeiros passos, ou melhor fez suas primeiras manobras no esporte: ainda aos 2 anos, ele praticou o sandboard e se encantou com a brincadeira.
De volta à Argentina, começou a esquiar aos três anos, já no Glaciar Martial, um popular ponto turístico da região, conhecida por ser um dos portos de partida para a Antártica e também pela Isla Martillo, lar de vários pinguins.
Aos quatro anos já era filiado ao Club Andino e descobriu o snowboard ao ver alguns garotos praticando. "Eu brincava com a prancha, no colchão do meu quarto. De vez em quando escapava pelas montanhas para poder praticar." contou Augustinho em sua primeira entrevista ao Olympics.com, em novembro de 2021.
Como muitos garotos de sua idade apaixonados por esporte radical, praticava surfe, nas férias e snowboard, em casa, além do esqui alpino. Foi neste esporte que ele se destacou ainda aos quatro anos quando ficou em segundo lugar num torneio local. Sua mãe, então, entrou em contato com a Confederação Brasileira de Desportos de Neve (CBDN) e a confederação passou a monitorar ele desde cedo.
Aos poucos os momentos de felicidade no snowboard falaram mais alto e passou a se dedicar ao esporte, incentivado por Diego Linares, maior nome do snowboard argentino e seu treinador por um período. "Era isso que eu queria, muito por influência do sandboard. É nada e tudo ao mesmo tempo. Fico ligado no meu próximo movimento, mas estou com o fone de ouvido e curtindo tudo aquilo”, explicou Augustinho.
Seus primeiros torneios foram aos nove anos de idade, apesar da relutância dos pais. Aos poucos, Augustinho foi convencendo a família e venceu muitos troféus em provas na Argentina e no Chile. Chegou uma hora que seu potencial falou mais alto e a família precisou buscar um novo lar para que ele pudesse evoluir.
Evolução de Augustinho Teixeira levou a um título inédito para o Brasil
Em 2015, a família se mudou para o Canadá, sempre com apoio da CBDN, o que foi fundamental em sua decisão de representar o Brasil. Começou a disputar seus primeiros torneios da Federação Internacional de Esqui (FIS) em 2018 e buscou vaga em Beijing 2022, quando tinha apenas 16 anos.
Poucos dias depois de ver os Jogos Olímpicos de Inverno na televisão, ficou em 19º lugar no Mundial Júnior. Foi aí que sua mãe lhe deu um ultimato: “Ela disse: ‘vamos procurar apoio de um psicólogo do esporte. Ou você faz, ou então não tem mais o meu apoio’”.
Aos poucos, ele foi tendo mais confiança em suas manobras e trazendo novos nomes para a equipe. Um deles foi o japonês Inamura Keita, seu treinador da pré-temporada de 2024/2025 até a pré-temporada seguinte. “Ele me ajudou muito e foi uma pessoa com quem me dei muito bem. Me ajudou muito a ter o controle da situação e a tomar decisões. Isso ajuda de uma maneira que você não faz ideia”, contou.
Durante a temporada de 2024/2025, Augustinho conquistou seus melhores resultados, como o título da Copa Europeia em Kitzsteinhorn, na Áustria, e obteve o melhor resultado masculino do Brasil na modalidade em Campeonatos Mundiais, ganhando pontos valiosos na corrida Olímpica.
Mesmo seguindo sua carreira com afinco, Gus, como é conhecido no Canadá, também tem uma vida muito ativa fora do esporte. Hoje, um jovem de 20 anos, já se tornou mecânico de automóveis, após estudar por dois anos na área. “O snowboard não é tudo. Eu gosto de carros e de motos. Acho que isso me ajudou a encarar as coisas de uma maneira mais leve, de não me cobrar tanto e de não ter medo de errar”, contou ao Olympics.
Hoje, Augustinho Teixeira é treinado por Karine Daze e Brett Esser e fez uma preparação intensa para obter a vaga Olímpica para Milano Cortina 2026. Depois de treinar por cinco semanas na Áustria e na Suíça, manteve a regularidade em 2025/2026 e conseguiu confirmar sua participação no Time Brasil.
Quais foram os melhores resultados de Augustinho Teixeira?
Augustinho Teixeira obtia bons resultados no big air, halfpipe e slopestyle. Porém, a partir de janeiro de 2024, passou a se dedicar quase integralmente às provas de halfpipe – disputou apenas dois torneios no slopestyle neste período. Todos os resultados abaixo são do halfpipe:
19º no Campeonato Mundial Júnior de Snowboard 2022, em Leysin, Suíça
Campeão da Prova FIS em Calgary no halfpipe e no slopestyle, em 2024
Campeão da Copa Europa 2024/2025 em Kitzsteinhorn, Áustria
18º no Campeonato Mundial de Snowboard 2025, em Engadin, Suíça
15º na Copa do Mundo 2025/2026 em Calgary, Canadá
31º na Copa do Mundo 2025/2026 em Secret Garden, República Popular da China
21º na Copa do Mundo 2025/2026 em Calgary, Canadá
O que é snowboard? Regras e formato da competição
Esporte criado nos anos 1960, possui muitas similaridades com o skate e o surfe, não sendo incomum atletas se dividirem entre os esportes. Ele fez sua estreia Olímpica em Nagano 1998, com as provas de slalom gigante e halfpipe, e aos poucos sua participação dentro do programa Olímpico foi crescendo.
Em Milano Cortina 2026, serão 11 eventos de medalhas que acontecerão em Livigno, na região de Valtellina. Além das disputas femininas e masculinas do big air, halfpipe, slalom gigante paralelo slopestyle e snowboard cross, há também uma prova de equipe mista no snowboard cross.
Na fase classificatória do snowboard halfpipe, os atletas terão duas chances de apresentar suas manobras para os seis juízes. A maior e a menor nota de cada um dos juízes são descartadas e apenas as outras quatro notas são validadas. Apenas a nota da melhor volta será considerada.
Doze atletas avançam para a final, na qual as notas da classificatória são descartadas e os competidores terão três voltas. Novamente, apenas a nota da melhor volta será considerada para a distribuição de medalhas.





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