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A consagração de Fernando Diniz veio com um dos maiores jogos da história do Fluminense

  • Foto do escritor: MDD Sports
    MDD Sports
  • 10 de abr. de 2023
  • 3 min de leitura

Em seu prazeroso desfilar pelo Maracanã, o Fluminense entregou absolutamente tudo que se espera do dinizismo. Inclusive, título.


Nos diferentes níveis de imposição sobre o adversário num jogo de futebol, em ordem crescente de vergonha imposta, temos: superioridade, baile, esculacho e arrodião. E, depois de tudo isso, desde ontem inaugurando uma nova categoria, está o que o Fluminense fez com o Flamengo na decisão do Campeonato Carioca. Porque o time de Fernando Diniz não jogou: ele executou um solo (de guitarra, tambor ou violino), dançou sozinho sob a chuva cercado por vultos enquanto ria como um lunático, inaugurou um bloco de carnaval, dobrou o rival como uma nota de dez que depois se esquece no bolso e passou o resto da noite inventando melodias no gramado do Maracanã.


Em seu prazeroso desfilar, o Fluminense entregou absolutamente tudo que se espera do dinizismo. Entregou o que não se espera também. Porque é inegável a qualidade do futebol que a equipe apresenta sob o comando de Fernando Diniz, mas também é importante, ainda que óbvio, salientar: o resultado é imperativo. Em outros momentos decisivos (como na semifinal da Copa do Brasil do ano passado, contra o Corinthians, ou mesmo na primeira partida da decisão carioca, semana passada) o Fluminense parecia fraquejar em situações cruciais, numa espécie de autossabotagem. Uma decisão errada, substituições desastradas, um apagão de cinco minutos -- o time estava preparado para jogar e encantar, mas quando chegava o momento de coroar a sua capacidade se perdia em neuroses. Desconfiava da felicidade que batia à porta -- Freud já deve ter escrito algo parecido em alemão, com centenas de consoantes.

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Foto;André Durão/ge

A beleza encanta, mas são os títulos que eternizam. Não há dúvidas de que Fernando Diniz saiu do Maracanã no domingo muito maior do que entrou -- em questão de um par de horas, a aura que cerca o seu trabalho ganhou inéditos e definitivos adornos. Ganhou espaço exclusivo nos alfarrábios da história. A atuação e o resultado foram tão avassaladores que discorrer sobre passagens do jogo hoje parece supérfluo: o golaço e a comemoração visceral de Marcelo, a inabalável fúria artilheira de Germán Cano, a prole inesgotável de Xerém. Tudo isso se torna nota de rodapé diante da forma como o Fluminense dominou, subjugou e domesticou o seu maior rival, engolindo-o com instintiva naturalidade, quase sem perceber, como devem fazer os cetáceos com as sardinhas no fundo do oceano.


Impor uma humilhação desse porte ao adversário de toda vida, especialmente contra uma geração vitoriosa desse rival, é aquele tipo de sensação pela qual torcedores de todas as cores e procedências rezam todas as noites, para a entidade que esteja de plantão. Mas também esse é um fato menor diante da bigorna de evidências: é, sobretudo, um jogo que já nasce histórico. Assim como no gol de barriga de Renato em 1995, de agora em diante cada torcedor tricolor lembrará exatamente onde estava quando a Orquestra de Diniz estreou sua aguardada quinta sinfonia contra um atordoado Flamengo --- a maioria vai dizer que estava no Maracanã, como se o estádio tivesse capacidade para novecentas mil pessoas.


Vão lembrar para onde foram depois do jogo, o que estavam vestindo e o que perderam ou desvestiram no caminho de volta para casa, considerando que algum dia tenham voltado para casa. Alguns vão lembrar até que esqueceram de tudo e foram recordados apenas no dia seguinte, quando armaram um sorriso do tamanho do antigo pavilhão das Laranjeiras ao abrir o computador ou ligar a TV para enfim perceber que realmente a história havia sido escrita e os fatos estavam consumados.


Fonte;ge.globo

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